quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Escola: Adaptação e o Poder da Brincadeira

A nossa pequena cresceu e chegou a sua vez de ir para a escola. Um lugar mágico onde a tarefa e o prazer se misturam, onde aprender é brincadeira e brincar é coisa séria. Um lugar só dela, sem mãe e sem pai. Com novas regras e pessoas para testar. Onde ela se descobrirá Manuela.

Mas... Minha garotinha não encontrou a magia e sofreu!!

Seu primeiro dia na escola foi assustador, medonho, beirando ao insuportável. O segundo foi menos pior e no terceiro fechamos com febre de 38 C (1 hora depois de entrar na escola e sem desenvolver nenhum outro sintoma nos dias subsequentes).

Sei que a Manu ainda precisa de um tempo longo para se sentir confiante com situações e lugares novos. Ela tem uma aversão ao toque de pessoas desconhecidas ou não autorizadas por ela (amigos e parentes só conseguem pega-la ou tocá-la se ela permitir caso contrario é escândalo na certa). Então imagino como a escola deve ter sido assustadora.

Como sou uma mãe moderna me lancei na internet para ter alguma luz e ajudar minha filha. Infelizmente encontrei artigos muito pobres e falando mais do mesmo "síndrome da separação", "medo de ser abandonada", entre outras coisas. E o pior, todos os que li tratavam isso como problema só da escola e que as crianças se sentem assim e que uma hora passa. Não estava procurando nome para o sofrimento da minha filha e sim uma forma de ajudá-lá a passar por isso.

Não contente resolvi dar MEU jeito. Comecei a contar uma história, que eu inventei, de um coelhinho que ia pra escola e tudo que ele descobria de legal lá, inclusive que a mãe voltava. Não deu o resultado que eu esperava (com o Nanni uma boa história ajuda superar qualquer conflito).

Partir para o diálogo. Aproveitei que estávamos sozinhas em casa e comecei a conversar com ela. Contei que a escola é um lugar legal onde tem outras crianças para brincar, que é o lugar dela como o meu trabalho é o meu lugar. Até aqui estávamos abraçadas, então eu perguntei do que ela estava com medo e fui nomeando "você acha que a mamãe não vai voltar?", ou "você pensa que alguém vai te machucar?", ou... Antes que eu pudesse falar ela levantou saiu do meu colo e do quarto como quem diz "não quero mais falar sobre isso". Pasma (ela me deixou falando sozinha? É isso?) eu falei "Tudo bem filha você já cansou desse assunto."

Mais tarde resolvi brincar com alguns bonecos indo para a escola, respeitando toda a rotina como: dar tchau para a mamãe, hora do lanche e saída. A Manu adora quando brincamos com ela de bonecos, por isso logo que ela me viu no chão sentou sorrindo, mas assim que comecei a falar de escola ela levantou e ficou apoiada nas minhas costas de costa para a brincadeira. Como ela estava por perto continuei a brincadeira até o final. Entendi que "ir para a escola" estava muito difícil para ela ao ponto dela não querer nem falar sobre isso.

No dia seguinte eu repeti a brincadeira e ela dessa vez conseguiu participar escolheu uma bonequinha e foi até o final da brincadeira. A noite o Nanni quis brincar de escola (afinal ele está envolvido nisso até o pescoço e fica preocupado quando escuta a irmã chorando na escola) e lá fomos nós. Porém, dessa vez cada um era um boneco eu a Minney sendo a professora, e eles seus bonecos favoritos Jessie e Buzz Lightyear. O Nanni conduziu a brincadeira, já que ele conhece a rotina da escola melhor do que eu, cantou algumas músicas e na hora de ir embora a professora pediu um beijo para os alunos. Foi nessa hora que a Manu agarrou a Jessie com força e saiu correndo pra cozinha, voltou até a metade do caminho e a professora pediu um beijo outra vez e ela fez menção de correr então perguntei "Qual o seu medo Manu? Você acha que vou te levar pra casa?" ela fez que sim com a cabeça e saiu correndo mais uma vez para as pernas do pai na cozinha.

Bingo!!!! A fantasia foi descoberta.

No dia seguinte ao chegarmos na escola ela começou a chorar e me abraçou forte. Então olhei em seus olhos e disse "Manu calma. Você vai ficar aqui, nesse espaço que você está vendo. Só o papai e a mamãe podem sair com você daqui. Mais tarde eu volto para te buscar e enquanto isso você vai aproveitar as atividades com seus amigos." Nesse momento ela saiu do meu colo e foi de encontro com a professora choramingando, mas sem desespero.

O que aprendi:

  1. Não é porque o sofrimento é inevitável que não podemos ajudar nossos filhos a superá-los, mostrando as diversas formas que ele tem de lidar com a situação;
  2. A melhor hora de se ir para a escola é quando você pai está convicto que será o melhor para seu filho, pois esse processo é doloroso e você recorrerá a sua convicção mais do que imagina;
  3. Realmente a escola é a separação na sua forma mais concreta, por isso é tão assustadora;
  4. O processo de adaptação não é uma questão de tempo e nem responsabilidade apenas da escola. Seu sucesso está relacionado com a somatória de pais, escola e o tempo que a criança leva para entender o que acontecerá lá;
  5. Falar é preciso! Mesmo que a criança não fale propriamente é necessário que ela saiba que você está percebendo o quanto ela está sofrendo e que ela será ouvida quando quiser se expressar.
  6. Desconstruir fantasias é a melhor forma de diminuir e lidar com o sofrimento;
  7. É na brincadeira que a criança entende o mundo, se expressa e acha as soluções para seus problemas. E nós pais podemos lançar mão disse recurso sempre que necessário.


E como foi a adaptação escolar por aí?
Bjs