segunda-feira, 18 de março de 2013

Mulher de piloto

Quando conto para as pessoa que meu marido é piloto as reações das pessoas seguem mais ou menos uma ordem.

Admiração: "Puxa!! Que lega!"
Curiosidade: "Nossa! você deve viajar bastante"ou "Vocês quase não se vem, né?"
Conhecimento deturpado: "Ele é piloto ou co-piloto?" ou "Ele viaja internacional?" ou ainda "Deve ser muito desgastante ser responsável por tantas vidas."
Pavor: "Nossa, deve ser angustiante ficar esperando ele voltar."ou  "Vocês não tem medo, do avião cair?"

Eu me divirto com isso, acho que piloto de avião é uma daquelas profissões que rondam o imaginário das pessoas e que elas se assustam quando percebem que ela também é real, isso deve acontecer também com o bombeiro e com o astronauta (eu não conheço ninguém com essas profissões na vida real, provavelmente eu passaria por essa mesma sequência kkkkk).

Para a muitas pessoas eu vivo um filme com um avião a minha espera para o destino que eu desejar ou para ser mais "glamourosa", assim como a aviação no seus tempos áureos, no seriado PANAN cheio de romances proibidos e aventura.

Infelizmente venho hoje para acabar com todas essas fantasias. Piloto de avião é uma profissão real, tem horário para entrar e para sair, tem a sua hierarquia, suas vantagens e desvantagens.

Vamos começar por alguns equívocos comuns:

1) O desafio do piloto é o avião, quanto maior a máquina melhor;
2) Comandante e co-piloto, os dois são pilotos!! A diferença é o tempo de aviação. Na cabine o trabalho é executado pelos dois.
3) O objetivo do piloto é pousar com delicadeza e segurança. Quando a delicadeza não acontece é porque ele teve que escolher entre as duas e optou pela segurança (ou foi um errinho mesmo, afinal "pousemo num quebremo comemoremo!!"kkkk).
4) É o meio de transporte mais seguro!!! Antes de qualquer coisa eles são muito, muito mesmo, treinados para as situações de emergências.
5) Eles voltam para casa!!! E as vezes ficam até 4 dias de folga seguidos. O meu marido fica no máximo 5 dias fora, mas isso varia de etapa para etapa.

Como mulher de piloto não tenho do que reclamar, as coisas são apenas um pouco diferente. Em vez de programar um passeio para um final de semana, programamos para a folga dele, que muitas vezes são durante a semana. E não posso usar de jeito nenhum "vou contar pro seu pai quando ele chegar!", tenho que resolver e pronto. Muitas vezes ele não está por perto para eu dizer "agora é sua vez" de dar a bronca ou ver o porquê está chorando no meio da noite, mas não sou a única mãe no mundo que faz isso. E claro tem as comissárias de brinde kkk, mas mulher tem em toda parte e acredito que se alguma coisa acontecer é porque ele estava procurando, por tanto iria acontecer em qualquer lugar. Por outro lado do mesmo modo que ele fica dias com "elas" eu fico dias sozinhas, no resumo de todo bom relacionamento o que vale é a confiança no acordo que se tem.

Embora ele trabalhe viajando ele é muito presente na educação dos nossos filhos. Mesmo ficando longe por dias, quando chega dá bronca se preciso. E a variação nos seu horários de trabalho torna possível sua participação ativa na vida deles, consegue acompanhar o Nanni na natação; ir as festas e reuniões da escola; buscar e levar ele para escola; passear a tarde com a Manu; e passear com a família. Ele estava presente quando o Nanni começou a andar e a Manu engatinhar e participa ativamente de todas as conquistas dos nossos filhos. Passamos separados essa entrada de ano, mas temos tantos momentos bons juntos que ele não estar presente em alguns feriados ou finais de semana não faz diferença.

Meu marido, e a maioria dos pilotos que conheço, adoram o que fazem. Eles são realmente apaixonados pela avião, talvez por isso essa profissão pareça TÃO fascinante.

E por fim o que vale é a qualidade e não a quantidade do tempo que passamos com as pessoas que amamos.

Bjs